terça-feira, 10 de novembro de 2009

Por dentro dos exames. Ressonância magnética.

Ao longo do último ano fui submetido a diversos exames para diagnóstico terapia. Desde os mais rotineiros, como sumário de urina, hemograma aos mais complexos exames por imagem; como tomografia computadorizada, ressonância magnética e o PET Scan (este considerado o mais avançado para auxiliar no tratamento de combate ao câncer).
Falarei nesse post dos exames por imagem. Todos são muito semelhantes entre si, os equipamentos utilizados têm a mesma aparência, porém, cada um guarda as suas diferenças. A maioria dos médicos inicia solicitando a tomografia, depois a ressonância magnética e por último o PET Scan. Aqui abro um parêntese para dizer que foi através do PET que ficou evidenciado um nódulo na minha tireóide, quando estávamos avaliando a evolução do tumor no fígado...
Ontem realizei uma ressonância magnética do abdômen total. Assim como outros exames a ressonância exige todo um preparativo para a sua realização. O paciente deve guardar jejum por quatro horas e não deve portar metais durante o exame, um longo questionário foi respondido previamente. Foi colocado um acesso à veia para inserção do contraste antes de entrar na sala do exame. Tentaram fazer eu usar um desses modelitos de hospital, que nos deixam muito para baixo, mas como sou macaco velho fui prevenido com uma calça sem ziper e sem botões de metal, escapei do mico do ano passado - quando tive que me vestir a caráter! Aquilo foi um mico que não pagarei mais.
Na sala do exame, fiquei deitado com os braços para trás e acima da cabeça, apoiados sobre a cama. Foram amarrados coletes de proteção em cima da minha barriga e o exame, no meu caso, de abdômen total, iniciou pela parte baixa – a pélvica, sem contraste. Foram postos protetores nos dois ouvidos para minimizar o barulho estridente do equipamento e um sinalizador em uma das mãos para usar em caso de alguma necessidade de comunicação com os técnicos – que ficam em outro ambiente no comando do equipamento, separados por uma parede de vidro. Foram ditas algumas instruções complementares do tipo “não se mexa” (ou não se bula), “prender a respiração” (ou parar de respirar) quando solicitado. E estava eu, pronto para o exame.
Como disse acima, iniciou-se pela pélvica e sem contraste. A cama vai sendo puxada para dentro do túnel e a sensação não é ruim, nada de desconforto – o tubo no qual eu estava entrando é feito de material plástico de cor clara, muito parecido com o revestimento dos aviões modernos. Lembrei-me das vezes que estava dentro de uma aeronave... Primeiro os pés, depois o resto do corpo até a cabeça, diferentemente do PET que começa pela cabeça da gente. Nessa fase não é necessário prender a respiração, creio que essa sessão tenha durado uns dez minutos. Tudo muito bem... Os braços pareciam confortados, o frio da sala não chegava a incomodar.
Logo apareceu a técnica responsável para mudar a posição dos coletes, direcionando-os para cima, para mais próximo dos peitos. Ai sim, a orientação para prender a respiração quando for solicitado. Outros dez minutos, ouvindo a barulheira da máquina, o pedido para prender a respiração (por vinte e nove segundos) quando o som da batedeira parecia aumentar... a minha máquina fotográfica não fazia tanto barulho assim! Pelo esforço feito para suspender a ação dos pulmões (sim, são dois) – um querendo ser melhor que outro, acho que o esquerdo pensava que o direito estava com preguiça e se esforçava para aumentar a tarefa de levar oxigênio ao organismo e vice-versa. E eu, tadinho de mim, tentando obedecer aquela moça que tinha me espetado antes. Foram longos dez minutos nessa agonia... até ouvir a voz perto de mim ao mesmo tempo que senti uma pegada no meu bracinho que estava com um acesso encravado na veia (não era na véia). Era ela, a técnica, que estava injetando alguma coisa... era o contraste, pensei! E repetimos os mesmos procedimentos para os dois hemisférios do abdômen (o de cima e o de baixo).
Os braços passaram a incomodar um pouco, ao contrário da história do passarinho que dizia que não estava sentindo as asinhas, nem as perninhas, nem nada... eu ali, estava sentindo o peso dos dois braços e calculava ser perto de uma tonelada, apesar de que eles não estão pesando nem um quilo cada um. Ao fim do exame um longo e tenebroso silêncio, depois de quase uma hora de barulheira ensurdecedora. Muito cuidado para me movimentar novamente, parecia que estava empenado e precisava fazer os ossos e os músculos aprenderem a obedecer o comando de ficar em pé novamente. Era hora de voltar pra casa. Enfim, foi assim a minha experiência com mais um exame de imagem. Fiquem com Deus.

Um comentário:

Ligiana disse...

Tio, nunca vi descrição melhor para esse exame!bjos
=D