quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Corte de cabelo II

Como disse anteriormente, rebaixei a juba no início da semana, quando eles começaram a cair nesta terceira etapa do tratamento. Devido não ter raspado nem mesmo passado a máquina no número um ou zero, o que restou teima em cair. O que me incomoda é vê-los no travesseiro, na pia do banheiro, no ralo e pela casa afora. Não me incomoda a queda dos cabelos em si, tampouco a aparência que denuncia a doença, afinal os olhos (sem sobrancelhas e sem cílios), vamos combinar, ficam com  uma aparência que ninguém merece, não é mesmo?! Naturalmente tudo tem o seu lado prático, hoje, por exemplo, "cortei" o cabelo apenas com um pente na mão. Aliás, um pente que tem história e que será contada na sequência. Passava o pente no couro quase cabeludo e ele deslizava carregado de tufos de cabelos... achei engraçado aquilo e fiquei repetindo a penteada só para ver a chuva de cabelos (gente, fiz isso dentro do banheiro, viu?) caindo aos meus pés. Acho que passei, oito, dez, quinze vezes seguidas... com corpo um pouco reclinado para liberar o caminho e provocar a queda livre daqueles fios que saltavam do pente. O resultado estar visível nas crateras que fcaram pelo couro ex-cabeludo. Como disse, isso não me incomoda. Estou usando boné no trabalho por medida de higiene.

O PENTE

Tenho comigo um pente muito especial. É de cabo, dentes largos, carcomidos e precisando de uma prótese para substituir um dente que falta. Não sei quando caiu esse dente dele, mas creio que é devido a idade avançada dele. Acredite se quiser, mas esse pente tem exatamente 31 anos! Tenho este pente desde julho de 1979 quando viajei à cidade de Santarém-PA. Precisava levar um pente, para depois do banho, visto que não tinha o hábito de carregar nenhum no bolso. A minha mãe tinha dois iguais, peguei um deles "emprestado" e desde aquela data ele tem viajado comigo a todos os lugares. O pente, não tem nome, conheceu Belém, onde esteve por duas vezes, São Luiz, Manaus, Brasília... São Paulo quando fui fazer o PET Scan, enfim, esse desalmado (ou será que tem alma?) tem sido presente no meu passado e no meu tempo atual, espero que ele possa completar outros aniversários dividindo o seu sorriso comigo. Deslizando pelos meus futuros cabelos, cumprindo a sua missão e ajudando a cumprir a minha também. É bom sair com os pelos arrumados e isso ele vinha fazendo muito bem, sem nunca reclamar de nada.

Sentirei a falta dele. Ao deitar-me (acredite-me novamente) tenho o hábito de pentear os cabelos - esse gesto ajuda a vir o sono, é como receber uma massagem, um afeto. Tudo bem, terei que mudar este hábito. Ele ficará ali a postos, esperando pelo retorno de novos fios, a sua razão de existir. Vejam a foto dele, foi tirada para colocar no passaporte ou no livro de record es como sendo o mais velho pente em uso. Uma vida. Que Deus o conserve assim, comigo, por muitos e muitos anos! Amém. 

EM TEMPO

O pente, que não tem nome, depois de fotografado me pareceu muito mais velho do que é na realidade, ficou com uma aparência horripilante, assim, para preservar a sua intimidade e evitar traumas, ainda mais agora nesse período que ele ficará sem ter o que fazer, resolvi não publicar mais a sua imagem. Espero que compreendam. Obrigado.

7 comentários:

Vitor Finkler disse...

É, a sensação de ver os cabelos caindo é estranho. Concordo com a questão da sobrancelha e dos cílios e acredito que a maior denúncia de que estamos em tratamento é feita por eles.
Eu sempre evito deixar os cabelos caírem, pois me causa agonia. Acabo por "depilar" o couro cabeludo com lâmina de barbear.
Espero que este pente ainda tenha muita história para contar, afinal, após 31 anos, ele já pode ser considerado de estimação (rs).

Um abraço,
Vitor Finkler

Ligia Albuquerque disse...

Olá Edson. È uma experiencia bem estranha essa de perder os cabelos pela quimio. Quando aconteceu comigo acho que foi a única vez na vida em que tive vontade de ser homem. Penso que para voces é um pouco mais fácil, atualmente tem jovens que passam máquina zero por questão de estilo, na onda dos jogadores de futebol. Na época comprei uma peruca que até ficou bem, mas aquilo esquenta por demais, logo a gente fica com vontade de voltar para casa e arrancá-la da cabeça. Mas desde dezembro já pude andar com a cabeça descoberta e agora meu cabelo já está bem normal. O seu pente e companheiro de viagens ainda terá muito trabalho com você. Abraços. Lígia Albuquerque.

Edson Leite disse...

Vitor, esse pente é quase um parente para mim!

Ligia, ser careca por opção é uma coisa, até mulher pode assumir esse visual despojado. O ruim mesmo é a sensação de impotência de ver os cabelos caindo aos montes por todos os lugares. Apesar de ser deprimente para muitos, para mim é apenas mais uma reação que estou contornando da melhor forma e sem trauma algum.
Obrigado pela força que estão me dando.

Sandra Ferreira disse...

Caro Edson!

Conheci seu blog através do blog da Regininha e já virei fã!

Você é muito espirituoso ao escrever, ri muito com a história do pente que precisa de prótese e sobre o trauma da foto e me veio, instantaneamente, um nome na cabeça para seu companheiro pente: ANTENOR!

Sei lá porque, mas acho que ficaria perfeito! rsrs

Abraço, boa sorte no seu tratamento, mas acredito que pela sua atitude tenho certeza que dará tudo certo!

Edson Leite disse...

Oi Sandra, seja bem vinda ao meu fã clube, para mim é uma grande honra poder contar com mais uma pessoa nessa luta pela vida.
O meu pente era pagão até essa idade (31 anos), hoje ele recebeu um nome de batismo: Antenor! Saiba que ele adorou, precisa ver o sorriso que ele deu (tadinho, quando sorri mostra o buraco do dente que falta). Ele perdeu a oportunidade de ir atrás de um desses políticos para ganhar uma prótese, na verdade eu não deixei ele ir. É mais veio se vender do que permanecer banguelo. Valeu pelo nome, pelo visto, Sandra, você será a madrinha dele. Bom feriadão.

Sandra Ferreira disse...

KKKKKK! Adorei! Sou madrinha do Antenor então!

Abração e ótima semana para você!

Muita força sempre!

Edson Leite disse...

E eu sou o que do Antenor?!
Acabou o feriadão!
Boa semana!