sexta-feira, 13 de maio de 2011

Sistema de Acesso Vascular


O sistema de acesso vascular, vulgo catéter, foi finalmente implantado na manhã desta quarta-feira, finalizando mais um capítulo de obstáculos que foram vencidos por mim na luta e superação do câncer.
Recebi um manual de informações, a pedido meu, do médico cirurgião com o intuito de ver a imagem daquilo que estarei carregando dentro de mim durante os próximos meses. Eu pedi a ele a embalagem do produto e na verdade acabei de posse de um manual. E é dele que vou retirar as informações para esta postagem.
O sistema de acesso vascular é composto de duas partes: um reservatório ou pequena câmara com uma membrana central de silicone, onde receberei as futuras picadas de agulha, e um tubo flexível, também em silicone, por onde passará a medicação. Pelo visto estou todo siliconizado, de fazer inveja a muita gente que sonha em colocar silicone pelo corpo.
De posse desse manual é possível saber como deve ser instalado o SAV (sistema de acesso vascular), num verdadeiro passo-a-passo. Esta parte vou pular para evitar que alguém queira fazer isso em casa. 
COMO É USADO O SAV?
É necessária a inserção de uma agulha no septo do reservatório, através da pele - dispensa a procura pelas veias. A agulha a ser utilizada ser a do tipo "non-coring", essas agulhas têm um formato especial que evita danos ao silicone, garantindo a segurança e longevidade do produto. Feita a punção, os medicamentos já podem ser administrados. Se o tratamento exigir, essa punção poderá ser mantida com a mesma agulha até por sete dias, desde que coberta por curativo estéril.
No meu caso, estarei usando uma bomba infusão, com dosador automático que irá administrar a medicação quimioterápica durante 72 horas consecutivas. É o que já chamei aqui de "cachorrinho" que me fará companhia e eu a ele! Espero que me deixe dormir tranquilo.
CUIDADOS COM O CATÉTER
Ainda bem que o sistema não requer cuidados especiais nem idas a oficina para manutenção. Diz o manual que poderei desenvolver as atividades físicas normais e rotineiras, incluindo natação, sauna, jogos esportivos e banho normal. Ficarei com a opção do banho normal, é mais seguro.
Recomenda, entretanto, tomar cuidado ao deitar evitando as posições que possam comprimir o reservatório ao tórax. Outro cuidado é com relação ao cinto de segurança do veículo, da mesma forma, evitando a compressão do tórax na altura do SAV.
OBSERVAÇÕES
Caso algum dos sintomas abaixo apareçam, devemos procurar o médico para que sejam tomadas as providências de praxe. 
  1. Dor no local
  2. Febre e tremores
  3. Dor no tórax
  4. Vermelho e/ou endurecimento da pele sobre o reservatório
  5. Qualquer tipo de secreção sobre o reservatório
  6. Inchaço no pescoço ou na face
  7. Falta de ar
Daqui pra frente tudo vai ser diferente, vou ter que me acostumar com essa novidade. A primeira noite foi péssima, não enconterei nenhuma posição que fosse cômoda para dormir, durmo com o corpo de ladinho e somente de papo pro ar conseguia ser vencido pelo sono, para logo despertar. Acabei vagando pela casa até lembrar de armar a rede. Foi assim que consegui ter um sono mais profundo que me trouxe um sonho esquisito. Se lembrar da história, contarei em outra postagem.
Contaram-me que ao despertar do anestésico, já no apartamento do hospital, perguntei ao cirurgião se estava liberado para comer camarão, feijoada e outras iguarias que não como há muito tempo. E para minha alegria ele disse que sim. Vou esperar pela cicatrização do procedimento de ontem e cair de boca numa panela de feijoada e depois me saciar com um acarajé baiano, eita, nem quero pensar nisso agora.
Fiquem com Deus, e estejam servid@s

Um comentário:

Rosalia disse...

Mais uma maratona das muitas na vida que, com certeza, em breve estará apenas em suas lembranças meu amigo. Entrega os teus caminhos ao Senhor, confia nele e o mais ele fará por você. Bjus (Rosineide)