Como disse anteriormente, rebaixei a juba no início da semana, quando eles começaram a cair nesta terceira etapa do tratamento. Devido não ter raspado nem mesmo passado a máquina no número um ou zero, o que restou teima em cair. O que me incomoda é vê-los no travesseiro, na pia do banheiro, no ralo e pela casa afora. Não me incomoda a queda dos cabelos em si, tampouco a aparência que denuncia a doença, afinal os olhos (sem sobrancelhas e sem cílios), vamos combinar, ficam com uma aparência que ninguém merece, não é mesmo?! Naturalmente tudo tem o seu lado prático, hoje, por exemplo, "cortei" o cabelo apenas com um pente na mão. Aliás, um pente que tem história e que será contada na sequência. Passava o pente no couro quase cabeludo e ele deslizava carregado de tufos de cabelos... achei engraçado aquilo e fiquei repetindo a penteada só para ver a chuva de cabelos (gente, fiz isso dentro do banheiro, viu?) caindo aos meus pés. Acho que passei, oito, dez, quinze vezes seguidas... com corpo um pouco reclinado para liberar o caminho e provocar a queda livre daqueles fios que saltavam do pente. O resultado estar visível nas crateras que fcaram pelo couro ex-cabeludo. Como disse, isso não me incomoda. Estou usando boné no trabalho por medida de higiene.
O PENTE
Tenho comigo um pente muito especial. É de cabo, dentes largos, carcomidos e precisando de uma prótese para substituir um dente que falta. Não sei quando caiu esse dente dele, mas creio que é devido a idade avançada dele. Acredite se quiser, mas esse pente tem exatamente 31 anos! Tenho este pente desde julho de 1979 quando viajei à cidade de Santarém-PA. Precisava levar um pente, para depois do banho, visto que não tinha o hábito de carregar nenhum no bolso. A minha mãe tinha dois iguais, peguei um deles "emprestado" e desde aquela data ele tem viajado comigo a todos os lugares. O pente, não tem nome, conheceu Belém, onde esteve por duas vezes, São Luiz, Manaus, Brasília... São Paulo quando fui fazer o PET Scan, enfim, esse desalmado (ou será que tem alma?) tem sido presente no meu passado e no meu tempo atual, espero que ele possa completar outros aniversários dividindo o seu sorriso comigo. Deslizando pelos meus futuros cabelos, cumprindo a sua missão e ajudando a cumprir a minha também. É bom sair com os pelos arrumados e isso ele vinha fazendo muito bem, sem nunca reclamar de nada.
Sentirei a falta dele. Ao deitar-me (acredite-me novamente) tenho o hábito de pentear os cabelos - esse gesto ajuda a vir o sono, é como receber uma massagem, um afeto. Tudo bem, terei que mudar este hábito. Ele ficará ali a postos, esperando pelo retorno de novos fios, a sua razão de existir. Vejam a foto dele, foi tirada para colocar no passaporte ou no livro de record es como sendo o mais velho pente em uso. Uma vida. Que Deus o conserve assim, comigo, por muitos e muitos anos! Amém.
EM TEMPO
O pente, que não tem nome, depois de fotografado me pareceu muito mais velho do que é na realidade, ficou com uma aparência horripilante, assim, para preservar a sua intimidade e evitar traumas, ainda mais agora nesse período que ele ficará sem ter o que fazer, resolvi não publicar mais a sua imagem. Espero que compreendam. Obrigado.

