quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Que vergonha!!!

Não sei como começar esta postagem, tamanha é a vergonha que estou sentindo neste momento! Na verdade uma mistura de vergonha e desapontamento por ter vivido uma grande mentira, não posso dizer que fui vítima, lamento apenas pelas pessoas que, ao lerem a postagem, acabaram se envolvendo nessa trama. Mas, vou deixar de arrodeios e ir direto ao ponto.

A mulher com a criança, personagens da postagem de ontem - Cinco Minutos com Deus!, é uma impostora! Uma farsante, autora de uma encenação maldosa na qual acabei acreditando... Vejo que tem sentido o nome da criança: Vitória! Para aquela mulher desnaturada pode ter sido uma vitória ter conseguido enganar mais uma pessoa, que ela pode chamar de otário, de trouxa ou algo que o valha. Mas, não é assim que estou me sentindo agora! Sinto vergonha por saber que pessoas como ela continuam usando crianças para as enganações, para obterem o dinheiro que não tiveram a capacidade de ganhar de forma honesta, com o esforço que muitos tem que fazer para obtê-lo.
Peço desculpas a todos que leram o que eu achava ser um Testemunho da existência de Deus - isso demonstra que Ele não precisa de relatos para provar a sua existência aos homens. Vou deixar o post no blog, agora com o objetivo de alertar as pessoas, principalmente, os da minha cidade, da existência desse novo "golpe". Continua sendo um testemunho, de como esses golpes são capazes de envolver as pessoas para enganá-las e tirar proveito disso. Confesso que este não foi o primeiro caso, já caí em vários outros do mesmo gênero, recordo de uma mulher com um menino que pedia ajuda para comprar remédios (levava consigo uma receita); uma outra pedindo leite em pó... e outros mais. Graças a Deus em todos esses momentos de engodo eu não buscava obter lucro fácil, não eram os famosos contos do vigário ou do velho bilhete premiado. Em todos esses momentos fui engando quando buscava ajudar aquelas pessoas, daí sentir vergonha de saber que elas continuam existindo de verdade!
Como fiquei sabendo que tratava-se de uma farsa? Quando, por solicitação minha, na noite de hoje, Jack buscava informações numa comunidade cristã que abriga mães desamparadas com os seus filhos... com a intenção de abrigá-la, de fazer o seu acolhimento... então, enquanto relatava a situação chegou uma pessoa que também se envolveu com aquela mulher e contou detalhes coincidentes com o ocorrido na manhã de ontem.
É caso de polícia? Pode ser que seja, não me cabe julgar. Às autoridades constituídas, para as quais estarei encaminhando a denúncia, cabe reprimir a ação em respeito aos direitos daquela criança. Pelo que descreveu a pessoa hoje a noite, tem sido repetitivo este fato. Farei a minha parte, do modo como estou publicizando aqui enviarei aquele post para a Curadoria da Infância para que eles façam a parte que lhes cabe.
Peço desculpas, mais uma vez, a todos que leram, se emocionarm e até divulgaram para outras pessoas. Não tive culpa. Não me culpo por querer ajudar. Espero que este não seja a última vez que fato dessa natureza venha a ocorrer comigo... Não vou endurecer o meu coração por causa de uma alma que encontra-se perdida no mundo. Fique com Deus!

Memórias

O episódio de ontem me fez relembrar algumas outras passagens que considero muito importante na minha vida. Uma delas, retrata uma situação vivida na cidade de Manaus-AM, no ano de 1974, quando eu precisava chegar à Campinas-SP pegando carona num avião da Força Aérea Brasileira – FAB, que passo a relatar com detalhes.

Na época eu era aluno do Colégio Militar de Manaus - CMM que estava sendo admitido na Escola Preparatória de Cadetes do Exército – EsPCex, localizada na cidade paulista de Campinas, para onde eu precisava me deslocar. O meio de transporte era em aviões comerciais, com custo muito grande para os meus pais ou pegando carona em um dos aviões da FAB. Para esta segunda opção era preciso enfrentar uma verdadeira maratona e perseverar muito. Na mesma situação encontravam-se outros dois colegas do CMM – o Marcos e outro que não lembro o nome... O Marcos era o mais velho na idade e no tempo de escola, portanto, achava-se no direito de “comandar”... há um dito no meio militar que diz “antiguidade é posto”. Então, estávamos nas mãos do Marcos que conduzia a maratona dessa viagem!

Depois de três tentativas seguidas, e em vão, para embarcar... ficamos sabendo que estava naquela noite iria pernoitar um avião militar procedente do Quito, Equador que seguiria no dia seguinte para a cidade do Rio de Janeiro. Destino bem próximo ao nosso e que daria certo, caso conseguíssemos ser relacionados naquele voo. E partimos para a luta, em busca dessa oportunidade. Localizamos o hotel onde estava hospedado o comandante do avião e parte da tripulação. Coube ao Marcos falar com ele e pedir pelas nossas inclusões na relação dos passageiros que embarcariam em Manaus. Nenhuma certeza nos fora dado, apenas a recomendação para estarmos no aeroporto na manhã seguinte. Saimos de lá com esperança, mas com algumas ressalvas do Marcos... ele dizia assim, “se conseguir uma vaga seria a dele” e duas, seria ele e o outro, somente diante da possibilidade de três vagas eu estaria sendo contemplado... eu era o mais novo, na idade, e no tempo de Colégio. Aceitei as condições estabelecidas e na madrugada seguinte, cerca de 4 horas da matina, estávamos nós no saguão do aeroporto.

Deixaram-me tomando conta da bagagem e partiram, os dois, em busca de concretizar a inclusão do grupo ou deles no rol dos passageiros. Nesse ínterim fiquei sentado, impotente, apenas aguardando sentado junto aos inúmeros presentes.

Manaus por ser, naquela época, uma Zona Franca, tinha o tráfego de mercadorias importadas a preços muito baixos e regras próprias que deviam ser seguidas por todos os passageiros... tinha uma cota que deveria ser observada, ultrapassada esta cota, o produto ficava retido na alfândega. Era preciso despachar a bagagem com antecedência, pois precisava ser vistoriada, a fiscalização alfandegária abria todas as malas, sacolas, etc. Era preciso inclusive uma declaração prévia do que estava sendo transportado, e passava pela conferência das autoridades locais no momento do embarque.

Quando encontrava-me no saguão, aguardando a volta dos colegas, fui abordado por um cidadão que acompanhava uma moça que também estava pretendendo embarcar no mesmo voo, com destino ao Rio de Janeiro. Ela era filha de um figurão do exército. E estava levando produtos que extrapolava o valor da cota. Como eu nada levava na minha bagagem, além das minhas roupas, não me opus quando fui perguntado se ela podia usar a minha cota... seria um favor que estaria fazendo! E combinamos tudo então, passaríamos juntos pela fiscalização e logo após ela tomaria posse das suas coisas novamente.

Até aqui tudo bem, nada demais nesse meu relato. Ai vem a pergunta: o que tem isso com o ocorrido ontem? Continue lendo e tire as suas conclusões.

Para adiantar o processo de embarque, foi resolvido que todos aqueles que estava relacionados e os pretensos passageiros deveriam passar pela alfândega, liberar a bagagem e aguardar a posição final da relação dos passageiros. Assim, nos encaminhamos, eu, os colegas, a moça e o cidadão que estaria apenas auxiliando a ela naquele embarque. Ele não embarcaria. Quando chegou a minha vez, foi solicitada a minha identidade... entreguei a minha carteira de aluno do CMM. Ali estava a data do meu nascimento, menor de idade, precisava de autorização de uma autoridade... e agora? O que fazer? Lembra do cidadão, acompanhante da moça – filha do figurão do exército? Ele viu a situação na qual eu me encontrava, sabia do meu destino, da finalidade da minha viagem e não hesitou em perguntar: posso autorizar o embarque dele? Ao perguntar isso, foi mostrando os seus documentos de identificação... o cara era juiz! Não desses que apitam em campo de futebol, mas dos que usam toga mesmo! Claro que passei por aquela primeira dificuldade. Percebeu a semelhança?! E foi apenas o começo...

Na sequência, passada por aquilo tudo, estava cada um por si agora... Eu continuei guardando as malas, as minhas e as dos colegas. Aquela moça julgava que a sua ida também estava garantida... tinha pai influente e certamente isso seria levado em conta. Vi quando várias vezes as malas dela eram levadas para o avião... e trazidas de volta para a sua indignação. Aquilo em nada me abalava, naquele momento eu não pensava em nada... apenas em embarcar naquele avião! E foi neste estado, que fiquei encostado numa coluna, numa espécie de corredor, vendo o avião... as pessoas se dirigindo para o embarque... e eu ali, sem confirmação alguma – nem sim, nem não! Foi quando passava por mim o comandante do avião, não sei porque, ele parou na minha frente e perguntou onde eu iria... Assim mesmo, do nada aquela pergunta. Acho que dei a resposta certa ao dizer: pretendo ir para o Rio de Janeiro naquele avião! Quando então soou outra pergunta por parte dele: e o que está faltando? – Ser relacionado, foi a minha última resposta. O que ele disse depois disso?!

O comandante então chamou um dos seus auxiliares e mandou que eu fosse incluído na relação dos passageiros. Eu estava embarcado, pensei! Graças a Deus!
E os outros? Nada, nem o Marcos, nem o segundo colega, e nem a filha do general! Todos ficaram em Manaus, aguardando por uma nova oportunidade. O voo estava lotado... e estava mesmo, fui acomodado numa cadeira retrátil, nada confortável, localizada no corredor da aeronave – um velho Boeing, que deve estar aposentado por idade. Aquilo tudo foi para mim uma grande lição de vida, não podemos ser arrogantes, nem pretender obter as coisas excluindo os demais... se tem que ser nosso, será sem tirar de ninguém.

Sempre pensei fazendo algumas perguntas básicas: Por que aquele juiz ali, desde a madrugada? Por que aquele comandante parou e falou comigo? Por que a moça não viajou? Nunca me perguntei: por que eu? Como também não faço esta pergunta agora nesse processo de acometimento do câncer. Tem perguntas que não precisam ser feitas. Fique com Deus!

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Cinco minutos com Deus! Uma farsa!!!


O título desta postagem poderia ser Testemunho, por combinar também com o relato de um episódio que sucedeu comigo no final da manhã de hoje. A minha escolha, pelo título acima, justifica-se pelo que fato de que realmente senti a presença de Deus naqueles minutos que durou o fato a contar abaixo.
Eu estava dirigindo o carro em direção à casa dos meus pais, passava das 11:30 horas, ia para o almoço como tenho feito com certa frequência. Não sentia o calor do sol por estar protegido pela refrigeração do carro, mas sabia que estava muito quente lá fora. Trafegava pela BR 230, hoje quase uma avenida, no sentido praia/centro, quando visualizei uma mulher carregando uma criança encoberta por um pano - protegia a criança da maneira que podia. Passei por elas e notei que algo não estava bem, alguma coisa parecia que tinha de ser feito ali... mas, prossegui no meu trajeto! A imagem passou para os retrovisores do carro... algo estava errado, continuei pensando... como estávamos próximo (não muito perto para quem ia a pé) de um hospital de emergência, imaginei que aquela criança podia estar sendo levada para lá! No instante seguinte eu já estava pegando o acesso paralelo a rodovia, fazendo o percurso costumeiro, seguindo o meu destino.
Mas, uma força, uma energia muito forte, tomou posse dos meus pensamentos... eu deveria ter parado, pensei... e ainda percorri duas a três quadras antes de parar o carro e retroceder. Sim, fui levado ao ponto da rodovia (pela mesma via local) onde haveria de encontrar aquela mulher e a criança. E foi exatamente ali que ocorreu o primeiro contato com Deus! Quando aquela mulher, aquela mãe desesperada, viu que eu estava pronto para o seu acolhimento. Vi o choro incontido naquele rosto cansado, sofrido. Ouvi logo os seus agradecimentos a Deus  pela minha presença ali. Assim a fiz entrar no carro, juntamente com a menina que carregava nos braços.
Uma onda de emoção tomou conta de mim, contive a mesma para poder ter o controle da situação e perguntando o seu destino percebi que não era um caso para atendimento hospitalar, mas de amparo, de socorro para possibilitar a ela sair de uma situação que estava sendo angustiante. Sempre agradecendo a Deus, iniciou dizendo que eu estava livrando-a de cometer uma besteira, segundo ela, eu era o livramento!
Para melhor situar-me questionei de onde ela estava vindo e a resposta dava a certeza de que tratava-se de uma pessoa sofredora, de uma pessoa ferida e que buscava auxílio. Não duvidei das palavras daquela mãe, sabia que eu estava sendo usado para atendê-la, para socorrê-la... era a resposta que ela tanto pedia a Jesus Cristo. Ela respondeu que vinha do Manaíra (um dos bairros nobres da cidade), tinha ido a procura de uma irmã (empregada doméstica), mas não tinha conseguido êxito... foi em busca de dinheiro para pagar o aluguel (R$ 15,00 por semana - devia já duas semana e estava sendo ameaçada de despejo pela proprietária do quarto) e, claro, para comprar algo para comer. Voltava para casa, de mãos vazias, a pé e a percorrer ainda cerca de 5 km até chegar em sua casa, localizada numa comunidade (São Rafael) às margens da rodovia. Como se fosse o seu anjo da guarda, fiz o que pude naquele momento. Diminui os seus passos, e sem que a mesma me solicitasse, acho que ela tinha certeza de que fora atendida nas suas orações (que vinha fazendo enquanto vagava na rodovia) e que não precisaria externar nenhum tipo de pedido a mais, depositei sobre as suas mãos uma certa quantia em dinheiro... uma simples ajuda que estava sendo possível fazer naquele momento, notei que ela olhava aquelas notas parecendo não acreditar no que estava vendo... E logo voltou aos agradecimentos a Deus! Prometeu que quando chegasse em casa iria ficar de joelhos para agradecer a Deus.
Na verdade, estávamos sendo ajudados mutuamente. Ali estava sendo dada a certeza de que Deus existe e de que muitas vezes podemos ser seus meros instrumentos, em outras os seus benficiários! Ele nos aparece de várias formas, basta sabermos olhar em nossa volta.
Para completar, perguntei o nome e a idade da menina, três anos, inocente, sorriso no rosto, apesar de um pouco triste... e quando ouvi o nome dela, me calei: Vitória! É o nome daquela criança, Vitória - o mesmo nome da minha netinha. E então, Deus existe?!

Infelizmente tudo isso não passou de uma farsa, explicada no post datado de 27/01/2010, sob o título "Que Vergonha!!!" Leia e entenderá.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Ana Vitória

Este é um dos melhores remédios para quem está necessitando de tratamento, debruçar sobre as fotos de quem amamos e fazer algo como o clip abaixo. Você esquece de tudo que possa lhe perturbar e areja o espírito, tornando o corpo saudável para suportar as suas mazelas. O clip abaixo contém as fotos dos dez primeiros meses de vida de Ana Vitória, minha primeira neta. Ontem ela completou dez meses de vida, em breve estaremos comemorando o seu primeiro aniversário.



Boa semana para todos! Fiquem com Deus!

domingo, 24 de janeiro de 2010

Fé em Deus


Gosto de interagir com aqueles que ao visitarem este blog manifestam-se de alguma forma, seja deixando um comentário ou enviando e-mail - duas maneiras de contatar-me. A estas pessoas, quero deixar registrado aqui que sempre terão uma resposta, mesmo que seja somente para agradecer pelo comentário deixado.

Hoje, estou motivado a falar da minha FÉ em DEUS para atender ao pedido de uma pessoa, realizado através do meu e-mail. O nome dela é Carla, moradora de São Paulo (deduzido pela operadora de telefonia).

Dispensando os comentários iniciais dela, parabenizando-me pela feitura do blog, reproduzo abaixo trecho da sua mensagem que fará parte desta postagem de hoje. Conclui ela, assim:

"Porém eu sou uma pessoa de fé abalável, gostaria que escrevesse em seu blog da onde encontra tanta fé e qual é a sua religião, segue alguma igreja, templo..."


Respondendo para Carla, e para tantos quantos cheguem até aqui, quero primeiramente resgatar o significado da palava FÉ, encontrado em qualquer dicionário. Fui buscar no Wikipedia - dicionário online e bastante em uso. Lá está escrito que a Fé é a firme convicção de que algo seja verdade, sem nenhuma prova de que este algo seja verdade, pela absoluta confiança que depositamos neste algo ou alguém. Ela se relaciona diretamente com o ato de acreditar, confiar, mas não é o bastante para dizer que temos fé divina- é preciso acrescentar um tempero chamado afeição, amor naquilo que confiamos e acreditamos existir. É a prática do respeito unilateral, ingrediente indispensável para a prática do verdadeiro amor.

A fé em si dispensa qualquer tipo de comprovação, do contrário ela não seria verdadeira e passaria a ter outra denominação. No meu caso específico, não espero simplesmente a cura da minha doença para continuar a dizer que nutro a fé. É preciso fazer a minha parte, até porque se nenhum tratamento for feito e eu ficar apenas acreditando que ficarei curado, fatalmente isso não ocorrerá...

Ressaltando a fé dentro do contexto religioso, foco desejado pela nossa leitora - chique escrever assim - arrisco ao dizer que a fé se manifesta de várias maneiras e pode estar vinculada a questões emocionais e a motivos nobres ou estritamente pessoais. Podendo existir sem nenhum razão específica ou definida. Eu sempre acreditei na existência de Deus, como sendo um Ser Supremo, criador de todas as coisas (incluíndo o homem), e como tal com poderes inimagináveis para nós simples mortais. Não foi preciso adoecer para ver aflorada essa minha crença, pois ela nunca esteve inerte. A prática da fé independe da prática religiosa, independe da frequência a este ou aquele templo ou seu assemelhado. Ela (a fé) está ou não presente dentro de nós, do nosso coração - órgão ao qual atribuimos a guarda do mais sublime dos sentimentos: o amor! Parece que estamos voltando ao primeiro parágrafo acima...

De forma resumida vou responder aos questionamentos feitos pela Carla: onde encontro encontro tanta fé? Dentro do meu coração. Quanto a minha religião? Fui feito católico. Se sigo alguma igreja, templo? Não.
Eu seria muito arrogante se dissesse que sou tolerante a todos os credos e religiões, devo dizer que tenho muito respeito à prática de qualquer tipo de manifestação religiosa. Elas por si só são maiores que qualquer tipo de "tolerância", pois existem independentemente da aceitação de qualquer um de nós! E ao dizer que somos tolerantes, imaginamos que a "nossa" religião seja a "mais" importante. No entanto, todas são importantes! Mesmo aquelas que não estão edificadas fisicamente ou mesmo estejam apenas dentro de nós.
Carla, não existe fé abalável! Acredite nisso! Fique com Deus.
Foto: http://fernandogalddino.files.wordpress.com/2009/02/prayer1.jpg

sábado, 23 de janeiro de 2010

Como os pássaros

Muita gente tem me perguntado como estou me sentindo, preocupadas com o meu estado de saúde, pois estão acompanhando de perto todo o desenrolar do meu tratamento. Muitas vezes desde o começo, repetidas vezes. Como posso estar me sentindo, após a gastrectomia total, nove sessões de quimioterapia, duas internações hospitalares (pelos efeitos da quimio),  hepactomia parcial, retirada da vesícula e os preparativos para retornar à quimioterapia? Muitos poderiam responder como responde a personagem no Zorra Total. Entretanto, a minha resposta resume-se a poucas palavras: Estou bem, graças a Deus! Do contrário nem estaria aqui escrevendo estas linhas, não é verdade?!

Relatando o que tenho passado em pouco mais de um ano parece meio assombroso que tenha esta expressão por resposta a tal pergunta. Mas, é a expressão da verdade, de como estou me sentindo, de como estar o estado do meu espírito.

Hoje recebi uma mensagem, dessas que nos enviam por e-mail, que fala de como os pássaros enfrentam as adversidades da vida: cantando e reconstruindo! Muitas vezes quando estão construindo os seus ninhos, diante de algum imprevisto - seja ele qual for - são obrigados a reconstrui-los, uma, duas, tantas vezes seja necessário, e o fazem sempre cantando! Perseveram a vida inteira, são fortes apesar de parecerem fracos... podem até ser frágeis, delicados, entretanto encontram energia que os tornam verdadeiras fortalezas.
Não sou esta fortaleza toda. Tenho meus momentos de fraqueza. Nessas horas, consigo dar a volta e encontro forças, motivações, para continuar resistindo. É importante termos referenciais que nos motivem a querer continuar nessa jornada e Deus tem me dado isso.

Uma boa maneira para recarregar a energia é ter consciência de que a doença é real, mas ela não precisa nos debilitar (não antes da nossa hora) devemos acreditar nisso, perseverar nessa verdade e deixar saber que cada dia é uma vitória que obtivemos e que nos foi dado por graça e misericórdia de quem tudo pode.

Repetir para si e para os outros: estou bem! Não é conformismo, é fé! É acreditar em si mesmo, no poder da natureza humana de reconstruir nas dificuldades, assim como os pássaros quando reconstróem os seus ninhos quando estes são destruídos ainda na sua construção. É preciso continuar. Faz parte da vida os altos e baixos. Os ventos mudam constantemente de lado, uma hora sopra para o sul, de repente começa a soprar para o norte e assim vai...

Repito, estou bem e digo mais: acho que estou maior que ontem! Fique com Deus!

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

AINDA SOBRE PET CT

Passei a semana debruçado sobre este tema por julgá-lo de muita importância para o tratamento de todos os casos de câncer e o porquê dele não ter sido incluído, sem ressalvas, na última relação de procedimentos autorizada pela Agência Nacional de Saúde, tornando a sua cobertura obrigatória para todas as operadoras de plano de saúde – inclusive no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS).
Após várias googadas e cliks, encontrei algumas respostas. A ANS tem departamentos independentes que controlam as operadoras de planos de saúde e o SUS, apesar deste ser considerado também o maior plano de saúde em operação no país. As suas decisões não se chocam, podem até chocar as pessoas!!!

Para as operadoras de planos privados existe uma Gerência Técnica, a quem compete o crivo dos procedimentos a serem tornados obrigatórios. É muita responsabilidade, uma decisão de tamanha proporção que mexe diretamente com a vida de milhões de pessoas. Travar uma concessão de cunho médico/social baseada na velha discussão de quem veio primeiro, o ovo ou a galinha? Se não é isso, vejamos.

O OVO OU A GALINHA?

Segundo consta na matéria publicada no site da Revista ABCâncer a ANS leva em consideração alguns critérios para a inclusão de procedimentos obrigatórios, abaixo listados:

Critérios de inclusão:

- Ter indicação, eficácia e segurança comprovadas cientificamente: SIM
- Ser oferecido em rede de alcance nacional: NÃO
- Tratar-se de uma demanda de médicos e pacientes: SIM
- Não constar como uma das limitações estabelecidas na Lei 9.656: SIM

A confirmação e a negativa foram dadas por mim, para o caso específico da inclusão do exame PET CT. Imaginei-me na posição do técnico e dei as respostas acima. E não foi preciso consultar nenhum especialista. São respostas simples a perguntas simples. O único critério que não foi atendido para tornar o PET obrigatório (se realmente a coisa for tratada dessa forma) é de não ser AINDA oferecido em rede de alcance nacional. Eu disse AINDA... isso justifica a minha tese de que os técnicos da ANS estão discutindo sobre quem veio primeiro: o ovo ou a galinha?

Farei um paralelo com a expansão imobiliária/urbana para melhor entendimento (deles, dos técnicos da ANS). Pois bem, uma rede de hotéis, de supermercados e de outros empreendimentos quando querem instalar novas unidades vão escolher uma área onde exista infraestrutura disponível, como avenidas, água, energia, telefonia e outros serviços. Sabemos que podemos fazer uma analogia com os serviços de saúde. No Brasil, mais da metade da população se vale dos planos de saúde privados. É um número bastante considerável. Os investimentos de novas tecnologias na área da saúde não difere muito de outras áreas; é preciso ter a segurança do retorno. Existe demanda reprimida para este procedimento, só que o valor cobrado distancia as pessoas... O valor de qualquer procedimento cai muito quando se trata de cobertura por um plano de saúde... isso é real!

No passado não muito distante este exame estava focado apenas no eixo Rio-São Paulo. Onde está localizado o IPEN, único que era responsável pelo radioisótopos usado na obtenção das imagens. Hoje, após a descentralização dessa produção, contamos com a instalação desses equipamentos em diversos estados da federação, fora da região sudeste, como Brasília, Salvador e Recife.


CICLOTRON

Está se solidificando na região sul pelo estado do Paraná, onde está sendo instalado (ou já foi) o Ciclotron – equipamento de alto custo utilizado na produção do “contraste” e que tem duração de poucas horas. É preciso uma logística muito eficiente para fazer chegar até o local da realização do exame, quando então será administrado uma pequena porção na veia do paciente. Tal equipamento produz, em apenas duas horas, quantidade suficiente para a realização de mais de setecentos exames naquele dia – como disse, esse contraste dura apenas poucas horas! Nos dois outros estados daquela região, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, certamente, ocorrerá a instalação dos tomógrafos necessários para a realização do PET CT. Percebemos, portanto, que o equipamento (ciclotron) ainda fica ocioso a maior parte do tempo, pela falta de demanda (em termos de Economia), não pela falta de pacientes necessitados a fazer tal procedimento. Em breve, ocorrerá o que podemos chamar de "popularização" desse procedimento, como já ocorreu na Europa e nos Estados Unidos, locais onde todos as operadoras de planos de saúde estão obrigadas a conceder aos seus usuários.

Concluo dizendo que estou fazendo agora o mesmo papel que fazia quando representava os assistidos do GEAP Saúde, indicado pelo meu sindicato, ou seja lutando por aquilo que entendo ser de direito para todos, para a coletividade! Posso estar afastado fisicamente dessa luta, mas enquanto puder estarei dando a minha contribuição na construção da cidadania. Entendo que direito não se discute, exercita-se! E a saúde, o cuidado com a saúde, é um direito de todos! Fique com Deus.
Fonte: http://www.abcancer.org.br