Parece que estou afastado... sem atualizar as notícias pessoais. É que de fato não tinha nenhuma notícia a ser dada, agora tem. Desde que fiz o último PET, motivo de um post neste blog, tenho procurado tratar da tiróide. Nesse ínterim foi realizada uma punção para pesquisa através de biópsia, fiz ultrassonografia do pescoço.
O resultado da biópsia saiu ontem e já mostrei ao médico cirurgião que passou a acompanhar-me neste quesito (não gosto de citar o nome dos profissionais, por não ter sido autorizado por eles). Nenhuma novidade, o resultado aponta para procedimento cirúrgico. Sai do consultório com as requisições para o pré-operatório, como Raio X do Tórax, exames de sangue e avaliação cardiológica para anestesia geral.
Como estou diante dessa "novidade"?! Estou bem, sim! Continuo confiante na cura total, sei que tem sido por partes. Tudo no seu devido tempo, como sempre costumo dizer: as coisas acontecem no tempo certo. Um leão por dia, é verdade. Mas, estamos vencendo um por um, ao final teremos o júbilo dando agradecimento ao Todo Poderoso.
Faço questão de registrar que em nenhum momento tenho fraquejado ou demonstrado sentimento diferente da esperança e da Fé, não esquecendo de sempre estar agradecendo por mais um dia, por mais uma noite...
Ainda não sei quando será realizada a cirurgia, sei apenas que não será na semana que vem, acredito que na outra semana será possível. Darei notícias, se Deus permitir!
sábado, 27 de junho de 2009
sexta-feira, 12 de junho de 2009
Comunidade no Orkut

Venho participando de algumas comunidades virtuais hospedadas no Orkut desde o início do meu tratamento, ali compartilhamos de algo mais - descobrimos que inúmeras outras pessoas estão no mesmo barco e podem ajudar-se mutuamente. Entretanto, de repente descubro, numa dessas comunidades a existência de uma série de regras que inibem as pessoas de expressarem os seus sentimentos. Comprei a briga, deixei meus comentários de indignação defendendo o direito que temos da livre expressão e para acabar com a celeuma - evitando stress, resolvi criar uma comunidade com o mesmo tema, porém, mais livre e democrática.
Trata-se da comunidade FIZ/AINDA FAÇO QUIMIOTERAPIA, que pode ser acessada pelo link a seguir http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?rl=cpp&cmm=90970574
É uma comunidade aberta a todos que queiram dela participar, independentemente da sua situação. O importante é respeitar e amar o próximo, observando estes princípios você escrever o que quiser a respeito de todo e qualquer assunto. Aceite o meu convite e requeira a sua adesão, será um prazer poder contar com a sua presença nos fóruns.
Discuta os tópicos abertos ou crie outros tópicos para serem discutidos na comunidade. Tá feito o convite!
segunda-feira, 8 de junho de 2009
Mais ciclos
Hoje fui consultar o meu médico oncologista, o mesmo estava em viagem participando de um congresso médico nos Estados Unidos. Depois que recebi o resultado do PET ainda não havia sido possível mostrar-lhe para ouvir a sua opinião e encaminhamentos.
Ao ver as imagens do exame, ficou satisfeito com a redução da área afetada no fígado. Deu-me parabéns pelo que estava ocorrendo - afirmando que a minha "vontade de superar" tinha contribuído muito para chegar a este resultado de evolução positiva, fazendo com que o tratamento venha dando certo.
Agradeci e disse que tratava-se da benção de Deus que está guiando as suas mãos e a sua inteligência para aplicar a dose certa do medicamento.
No fundo sei que ambos estamos corretos, tem que existir uma parceria médico/paciente, este último movido pela força da Fé - acreditando na cura, acreditando na misericordia divina. E assim tem sido. Tenho feito a minha parte no combate a este mal que consome, que destrói... mas, acreditando, como acredito, que nada é impossível para Aquele que nos criou, vamos tendo uma sobrevida prolongada.
Esta sobrevida deve ser entendida como uma nova chance e não devemos desperdiçá-la! Ao contrário, devemos nos agarrar com todas as forças.
Sai do consultório com a certeza de que a luta continua, outro ciclo de três sessões deve ser cumprido o quanto antes, para uma posterior avaliação. Foi-me recomendado buscar orientação de um endocrinologista para fazer biópsia do nódulo encontrado na minha tiróide. Farei isso o mais rápido possível, creio que ainda nesta semana ou início da próxima.
Estamos bem perto de ver o final feliz desse drama real. Perseverar, com esperança tem sido o meu norte nesses últimos meses.
Ao ver as imagens do exame, ficou satisfeito com a redução da área afetada no fígado. Deu-me parabéns pelo que estava ocorrendo - afirmando que a minha "vontade de superar" tinha contribuído muito para chegar a este resultado de evolução positiva, fazendo com que o tratamento venha dando certo.
Agradeci e disse que tratava-se da benção de Deus que está guiando as suas mãos e a sua inteligência para aplicar a dose certa do medicamento.
No fundo sei que ambos estamos corretos, tem que existir uma parceria médico/paciente, este último movido pela força da Fé - acreditando na cura, acreditando na misericordia divina. E assim tem sido. Tenho feito a minha parte no combate a este mal que consome, que destrói... mas, acreditando, como acredito, que nada é impossível para Aquele que nos criou, vamos tendo uma sobrevida prolongada.
Esta sobrevida deve ser entendida como uma nova chance e não devemos desperdiçá-la! Ao contrário, devemos nos agarrar com todas as forças.
Sai do consultório com a certeza de que a luta continua, outro ciclo de três sessões deve ser cumprido o quanto antes, para uma posterior avaliação. Foi-me recomendado buscar orientação de um endocrinologista para fazer biópsia do nódulo encontrado na minha tiróide. Farei isso o mais rápido possível, creio que ainda nesta semana ou início da próxima.
Estamos bem perto de ver o final feliz desse drama real. Perseverar, com esperança tem sido o meu norte nesses últimos meses.
quinta-feira, 4 de junho de 2009
A UTI por dentro II
Como prometido volto a falar da minha experiência dentro de uma UTI - a segunda vez que fiz uso de uma unidade de tratamento intensivo. Foi pouco antes do carnaval de 2009 e eu estava sob efeito da quimioterapia. Tinha passado pela quarta sessão da quimio, ou seja havia concluído um ciclo. A cada sessão os efeitos colaterais estavam sendo maiores, isso foi observado pelo próprio médico que me acompanha desde o início do tratamento.
Lembro bem daquele dia, era um sábado. A semana estava acabando e marcava o tempo que eu estava em processo de diarréia. Nada de melhorar, ao contrário amanheci bem mal mesmo. Ao levantar senti tontura e a vista escurecer. Logo tive a minha pressão verificada e constatamos que estava abaixo do normal. Tentei chegar ao carro para ir ao hospital, mas não consegui caminhar até a saída do apartamento - morava no térreo. Literalmente cai sobre uma cadeira, desmaiado, fui amparado pelo meu vizinho que me levou até o carro. Saímos em busca de atendimento médico, lembramos de pronto do hospital no qual fui operado. Infelizmente naquela manhã só havia a equipe médica da UTI e eles não poderiam descer para prestar atendimento, o hospital estava desprovido de médico plantonista - e não era do SUS!
Nos dirigimos a um segundo hospital, tendo sido atendido e encaminhado para internação hospitalar já por volta das oito e meia da manhã. Continuava em processo de diarréia e a pressão em decadência. A cada hora vinha alguém da equipe de enfermagem e verificava a minha pressão e temperatura - isso durou o dia inteiro e entrou noite adentro, a pressão oscilando sempre para baixo, parecia que a terra era o limite! Mas, nenhuma providência era tomada. Somente na madrugada seguinte, quando a pressão estava a 5 por 4 - isso mesmo, cinco por quatro, o médico plantonista da noite chegou ao meu leito e disse textualmente: - "O seu caso é grave e vamos transferi-lo para a UTI do Hospital... (um outro hospital, distante pouco mais de duzentos metros), pois estamos sem vaga na nossa UTI." Pode isso?! Esperar quase 24 horas para dar o devido encaminhamento que o caso requeria? Hoje posso dizer que ainda bem que ali não tinha vaga... e para mim aquele hospital foi riscado do mapa. Disse ainda que a UTI móvel já havia sido providenciada, estava só aguardando a sua chegada.
Felizmente o traslado foi efetivado sem nehuma celeuma e, como disse acima, a distância entre os hospitais é pequena. Poderia até ter ido a pé... Imaginem a cena, madrugada, de pijama, tomando soro e com diarréia... sendo seguido por uma comitiva que levava as minhas coisas e um rolo de papel higiênico.
Assim conheci a minha segunda experiência na UTI. Aquela era bem diferente da anterior, não só pelas circunstâncias, mas fisicamente também era diferente, não tinha janelas, pelo menos diante do meu leito. O barulho no seu interior já era familiar, semelhante ao da primeira. O ruim era ter que chamar a todo instante pela auxiliar, solicitando que a mesma trouxesse o aparador... e pedir a Deus que ela fosse rápida o suficiente para evitar o constrangimento de... deixa pra lá, dá para imaginar do que estou falando. Isso não está me cheirando bem!
Vou contar uma passagem hilárica. Sempre que eu chamava, alguém vinha e trazia o aparador que por garantia eu pedia pra deixar ao meu lado sobre a cama. Depois era chamar novamente para o seu devido recolhimento... algumas vezes (sim, foram muitas vezes mesmo!) elas demoravam um pouquinho para recolher... e foi numa dessas demoras que aconteceu o que eu temia... o aparador de inox (cheio) caiu da cama e foi parar (pelos meus cálculos) no meio do corredor da UTI... além do barulho, imaginei que chamaria a atenção por outros méritos também. Felizmente, ficou só no barulho mesmo... é que o aparador caiu de "boca" para cima e nada foi perdido e nem estragado, foi só o susto! E valeu, nunca mais demoraram ao meu chamamento... acho que não queriam correr o risco!!
Na UTI, o tratamento foi logo iniciado para conter o distúrbio intestinal e combater a causa da queda da pressão. Tive que passar por transfusão de sangue e dois dias depois estava sendo encaminhado para um apartamento. Tive princípio de AVC, minha vista ficou escurecida e manchada, não distinguia as imagens da televisão, não conseguia ler revistas ou outros impressos normais. Lia apenas as manchetes dos jornais. Fui visitado por especialistas em neurologia e oftalmologia, tendo cada um solicitado exames específicos. O primeiro solicitou uma ressonância magnética da região cerebral e o segundo uma campimetria.
Os dois exames foram realizados fora do hospital e das duas vezes fui removido em ambulâncias. Qualquer dia relatarei os "passeios" que fiz nesses veículos abençoados.
Graças a Deus os resultados foram negativos, nada estava fora do lugar. O prognóstico médico foi o melhor possível e os sintomas desagradáveis da visão (diminuição dela) sumiram cerca de 10 dias depois, como previsto pelo neurologista. Abençoada previsão! O primeiro texto que consegui ler foi o Salmo 23!
Voltando para as experiências em UTI, quero registrar que o mais emocionante é na hora que recebemos as visitas. Entram em duplas, paramentadas (touca, roupa em TNT, máscara) Não podem ficar muito tempo, mas aqueles poucos minutos fazem muito bem ao paciente. O amor é tudo de bom e é uma ótima forma de terapia.
São estas as minhas lembranças de dentro da UTI, nem todo mundo que ali entra está desenganado da vida. Ao contrário, resta-lhe esperança e com fé renovada a pessoa sai vitoriosa. Foi assim comigo. Amém!
Lembro bem daquele dia, era um sábado. A semana estava acabando e marcava o tempo que eu estava em processo de diarréia. Nada de melhorar, ao contrário amanheci bem mal mesmo. Ao levantar senti tontura e a vista escurecer. Logo tive a minha pressão verificada e constatamos que estava abaixo do normal. Tentei chegar ao carro para ir ao hospital, mas não consegui caminhar até a saída do apartamento - morava no térreo. Literalmente cai sobre uma cadeira, desmaiado, fui amparado pelo meu vizinho que me levou até o carro. Saímos em busca de atendimento médico, lembramos de pronto do hospital no qual fui operado. Infelizmente naquela manhã só havia a equipe médica da UTI e eles não poderiam descer para prestar atendimento, o hospital estava desprovido de médico plantonista - e não era do SUS!
Nos dirigimos a um segundo hospital, tendo sido atendido e encaminhado para internação hospitalar já por volta das oito e meia da manhã. Continuava em processo de diarréia e a pressão em decadência. A cada hora vinha alguém da equipe de enfermagem e verificava a minha pressão e temperatura - isso durou o dia inteiro e entrou noite adentro, a pressão oscilando sempre para baixo, parecia que a terra era o limite! Mas, nenhuma providência era tomada. Somente na madrugada seguinte, quando a pressão estava a 5 por 4 - isso mesmo, cinco por quatro, o médico plantonista da noite chegou ao meu leito e disse textualmente: - "O seu caso é grave e vamos transferi-lo para a UTI do Hospital... (um outro hospital, distante pouco mais de duzentos metros), pois estamos sem vaga na nossa UTI." Pode isso?! Esperar quase 24 horas para dar o devido encaminhamento que o caso requeria? Hoje posso dizer que ainda bem que ali não tinha vaga... e para mim aquele hospital foi riscado do mapa. Disse ainda que a UTI móvel já havia sido providenciada, estava só aguardando a sua chegada.
Felizmente o traslado foi efetivado sem nehuma celeuma e, como disse acima, a distância entre os hospitais é pequena. Poderia até ter ido a pé... Imaginem a cena, madrugada, de pijama, tomando soro e com diarréia... sendo seguido por uma comitiva que levava as minhas coisas e um rolo de papel higiênico.
Assim conheci a minha segunda experiência na UTI. Aquela era bem diferente da anterior, não só pelas circunstâncias, mas fisicamente também era diferente, não tinha janelas, pelo menos diante do meu leito. O barulho no seu interior já era familiar, semelhante ao da primeira. O ruim era ter que chamar a todo instante pela auxiliar, solicitando que a mesma trouxesse o aparador... e pedir a Deus que ela fosse rápida o suficiente para evitar o constrangimento de... deixa pra lá, dá para imaginar do que estou falando. Isso não está me cheirando bem!
Vou contar uma passagem hilárica. Sempre que eu chamava, alguém vinha e trazia o aparador que por garantia eu pedia pra deixar ao meu lado sobre a cama. Depois era chamar novamente para o seu devido recolhimento... algumas vezes (sim, foram muitas vezes mesmo!) elas demoravam um pouquinho para recolher... e foi numa dessas demoras que aconteceu o que eu temia... o aparador de inox (cheio) caiu da cama e foi parar (pelos meus cálculos) no meio do corredor da UTI... além do barulho, imaginei que chamaria a atenção por outros méritos também. Felizmente, ficou só no barulho mesmo... é que o aparador caiu de "boca" para cima e nada foi perdido e nem estragado, foi só o susto! E valeu, nunca mais demoraram ao meu chamamento... acho que não queriam correr o risco!!
Na UTI, o tratamento foi logo iniciado para conter o distúrbio intestinal e combater a causa da queda da pressão. Tive que passar por transfusão de sangue e dois dias depois estava sendo encaminhado para um apartamento. Tive princípio de AVC, minha vista ficou escurecida e manchada, não distinguia as imagens da televisão, não conseguia ler revistas ou outros impressos normais. Lia apenas as manchetes dos jornais. Fui visitado por especialistas em neurologia e oftalmologia, tendo cada um solicitado exames específicos. O primeiro solicitou uma ressonância magnética da região cerebral e o segundo uma campimetria.
Os dois exames foram realizados fora do hospital e das duas vezes fui removido em ambulâncias. Qualquer dia relatarei os "passeios" que fiz nesses veículos abençoados.
Graças a Deus os resultados foram negativos, nada estava fora do lugar. O prognóstico médico foi o melhor possível e os sintomas desagradáveis da visão (diminuição dela) sumiram cerca de 10 dias depois, como previsto pelo neurologista. Abençoada previsão! O primeiro texto que consegui ler foi o Salmo 23!
Voltando para as experiências em UTI, quero registrar que o mais emocionante é na hora que recebemos as visitas. Entram em duplas, paramentadas (touca, roupa em TNT, máscara) Não podem ficar muito tempo, mas aqueles poucos minutos fazem muito bem ao paciente. O amor é tudo de bom e é uma ótima forma de terapia.
São estas as minhas lembranças de dentro da UTI, nem todo mundo que ali entra está desenganado da vida. Ao contrário, resta-lhe esperança e com fé renovada a pessoa sai vitoriosa. Foi assim comigo. Amém!
segunda-feira, 1 de junho de 2009
Imagens do PET SCAN
Selecionei algumas imagens do PET SCAN realizado no Real Hospital Português para saciar a curiosidade de algumas pessoas que nem imaginam como é realizado este exame, ressaltando que ele é feito numa máquina muito semelhante a um tomógrafo. Este exame requer providências iniciais que preparam o paciente para ser submetido ao exame em si. Ao chegar ao hospital, ele é recepcionado e levado a uma sala privada aonde aguardará a injeção do contraste na veia, isso ocorrerá cerca de 20 minutos após permancer em descanso total - sem falar e sem efetuar movimento algum. Depois de aplicado o contraste é preciso esperar mais 40 minutos - período no qual devemos beber cerca de 1 litro de água. Obedecido estes procedimentos, o paciente é então levado para a sala aonde o equipamento está instalado, ali ele vai ficar deitado, completamente imóvel, durante toda a realização do exame que dura cerca de 30 minutos.
Vale salientar que é necessário jejum de pelo menos 6 horas e o paciente deverá está vestindo roupas desprovidas de qualquer metal, como ziper e outros. Pode permanecer calçado - melhor para aqueles que não podem tirar o sapato por conta do chulé.
O exame em si é bastante interessante. Como disse, permanecemos deitado, enquanto somos "sugados" para dentro da máquina... parece um forno, não fosse o frio que faz na sala (para conforto do equipamento). Durante todo o tempo estamos sendo "fotografados" de vários ângulos, com visões tridimensionais. Coisa de primeiro mundo mesmo. Um grande avanço da medicina nuclear.
Agora, algumas imagens:
domingo, 31 de maio de 2009
A UTI por dentro
Duas foram as passagens por Unidade de Terapia Intensiva em menos de seis meses. A primeira delas foi logo após a cirurgia e demorou menos de 48 horas e foi de rotina, segundo o médico cirugião. Para evitar surpresas desagradáveis, devido ao porte da cirurgia realizada.
Hoje passados esse tempo todo, ainda conservo na memória os momentos mais marcantes. O local era bastante frio, som de aparelhos em funcionamento e das conversas dos intensivistas - quebrados apenas pelos lamentos ou gemidos de alguns que estavam conscientes. Na primeira noite não consegui dormir muito, durante a madrugada percebi que a chegada de um homem infartado movimentou bastante a equipe de plantão. Aquele homem estava trabalhando quando sentiu-se mal e foi socorrido pelo SAMU. Acomodado num dos leitos próximo ao que eu estava, pude ouvir todos os seus lamentos - dava a impressão de que ele temia morrer naquela madrugada. Vi o dia clarear, não conseguia dormir. O homem infartado continuava internado, mas pelos comentários estava fora do risco de morte. Os gemidos da noite pareciam ter diminuído, mas o bip... bip... continuava soando acima da minha cabeça. Com esforço pude visualizar o aparelho e constatei ser um monitor multiparâmetro - serve para controlar diversos sinais vitais do nosso corpo. Em um dos meus dedos estava preso um sensor e outros fios estavam me ligando aquela máquina.
Não me dei conta de que tinha ainda preso ao meu corpo uma sonda para coletar a secreção da cirurgia - estava ao meu lado direito, unida através de uma mangueira de silicone que entrava na minha barriga, na altura do umbigo. E uma sonda uretral, para coletar a urina que de forma involuntária ia se acumulando no recipiente colocado abaixo da cama.
Tinha também um catéter costurado na base do meu nariz que por ali descia garganta abaixo. Por este catéter eu iria receber as primeiras refeições líquidas após a cirurgia. Tive que suportar aquele incômodo durante quatro dias e não teve a menor serventia. Não foi utilizado por conta de uma falha da equipe que o colocou... não retiraram o filete que corre internamente, uma espécie de "guia" que deve ser retirado logo após a sua colocação. Como isso não havia sido feito tornou inviável o uso do catéter. O cirurgião teve que alterar os planos da realimentação. Nada que me trouxesse prejuízos maiores, graças a deus. Só fiquei sabendo do seu tamanho real - até onde ia - quando da sua retirada. O negócio ia até dentro do estômago... coisa de mais meio metro. Horrível na hora da retirada, mas sobrevivi... até parece que importa mesmo o tamanho de um catéter... nós é que pintamos a cor do bicho!
De todos os momentos na UTI, um deixou marcas pela sensação de impotência que representou. Ao mesmo tempo que tentei pensar naquilo como uma coisa hilárica. Foi na hora do banho. Duas auxiliares de enfermagem chegaram fechando as cortinas e falando: - Vamos dar um banho no senhor! Não sei se gelei pelo frio do ambiente ou pelo constrangimento de me ver ali tendo os lençóis arrancados e me deixando todo exposto aos olhares daquelas duas pessoas estranhas. Admirei o profissionalismo e a técnica de higienizar um paciente em cima de um leito. Para que não fiquem imaginando a cena, vou descrevê-la mesmo. Não jogam água de balde, usam toalhas molhadas que vão passando pelo corpo. Na hora de secar a cama, rolam o paciente para um lado da cama... retiram os lençóis molhados e já colocam um lençol seco no seu lugar... fazendo com que o paciente role de volta, até que seja trocada toda a roupa de cama e o paciente esteja parecendo que tomou um banho de chuveiro. Um boneco nas mãos hábeis daquelas profissionais. Muito bom saber que existem pessoas abnegadas que gostam de cuidar de enfermos.
Era uma UTI bastante animada. A conversa rolava solta, nem parecia que estavam tratando de pessoas de forma intensiva...
A segunda permanência na UTI fica para depois, será contada no nosso próximo encontro. Viu como nem sempre entrar na UTI é colocar o pé na cova?! Estou aqui relembrando e contando como foram essas experiências.
Hoje passados esse tempo todo, ainda conservo na memória os momentos mais marcantes. O local era bastante frio, som de aparelhos em funcionamento e das conversas dos intensivistas - quebrados apenas pelos lamentos ou gemidos de alguns que estavam conscientes. Na primeira noite não consegui dormir muito, durante a madrugada percebi que a chegada de um homem infartado movimentou bastante a equipe de plantão. Aquele homem estava trabalhando quando sentiu-se mal e foi socorrido pelo SAMU. Acomodado num dos leitos próximo ao que eu estava, pude ouvir todos os seus lamentos - dava a impressão de que ele temia morrer naquela madrugada. Vi o dia clarear, não conseguia dormir. O homem infartado continuava internado, mas pelos comentários estava fora do risco de morte. Os gemidos da noite pareciam ter diminuído, mas o bip... bip... continuava soando acima da minha cabeça. Com esforço pude visualizar o aparelho e constatei ser um monitor multiparâmetro - serve para controlar diversos sinais vitais do nosso corpo. Em um dos meus dedos estava preso um sensor e outros fios estavam me ligando aquela máquina.
Não me dei conta de que tinha ainda preso ao meu corpo uma sonda para coletar a secreção da cirurgia - estava ao meu lado direito, unida através de uma mangueira de silicone que entrava na minha barriga, na altura do umbigo. E uma sonda uretral, para coletar a urina que de forma involuntária ia se acumulando no recipiente colocado abaixo da cama.
Tinha também um catéter costurado na base do meu nariz que por ali descia garganta abaixo. Por este catéter eu iria receber as primeiras refeições líquidas após a cirurgia. Tive que suportar aquele incômodo durante quatro dias e não teve a menor serventia. Não foi utilizado por conta de uma falha da equipe que o colocou... não retiraram o filete que corre internamente, uma espécie de "guia" que deve ser retirado logo após a sua colocação. Como isso não havia sido feito tornou inviável o uso do catéter. O cirurgião teve que alterar os planos da realimentação. Nada que me trouxesse prejuízos maiores, graças a deus. Só fiquei sabendo do seu tamanho real - até onde ia - quando da sua retirada. O negócio ia até dentro do estômago... coisa de mais meio metro. Horrível na hora da retirada, mas sobrevivi... até parece que importa mesmo o tamanho de um catéter... nós é que pintamos a cor do bicho!
De todos os momentos na UTI, um deixou marcas pela sensação de impotência que representou. Ao mesmo tempo que tentei pensar naquilo como uma coisa hilárica. Foi na hora do banho. Duas auxiliares de enfermagem chegaram fechando as cortinas e falando: - Vamos dar um banho no senhor! Não sei se gelei pelo frio do ambiente ou pelo constrangimento de me ver ali tendo os lençóis arrancados e me deixando todo exposto aos olhares daquelas duas pessoas estranhas. Admirei o profissionalismo e a técnica de higienizar um paciente em cima de um leito. Para que não fiquem imaginando a cena, vou descrevê-la mesmo. Não jogam água de balde, usam toalhas molhadas que vão passando pelo corpo. Na hora de secar a cama, rolam o paciente para um lado da cama... retiram os lençóis molhados e já colocam um lençol seco no seu lugar... fazendo com que o paciente role de volta, até que seja trocada toda a roupa de cama e o paciente esteja parecendo que tomou um banho de chuveiro. Um boneco nas mãos hábeis daquelas profissionais. Muito bom saber que existem pessoas abnegadas que gostam de cuidar de enfermos.
Era uma UTI bastante animada. A conversa rolava solta, nem parecia que estavam tratando de pessoas de forma intensiva...
A segunda permanência na UTI fica para depois, será contada no nosso próximo encontro. Viu como nem sempre entrar na UTI é colocar o pé na cova?! Estou aqui relembrando e contando como foram essas experiências.
sexta-feira, 29 de maio de 2009
Estímulo
Todos nós vivemos respondendo a estímulos, assim motivados vamos dando asas a imaginação e a criatividade. Nossa vida parece ficar com mais brilho e temos vontade de continuar produzindo as coisas boas que foram sendo ressaltadas pelas pessoas que, de alguma forma, passaram pelos nossos caminhos.
Atualmente esses caminhos não são necessariamente aqueles "caminhos físicos" tradicionais, como estradas, ruas, avenidas ou outros espaços públicos como aeroportos, portos, mercados, etc tem também a Internet. E foi para falar dessa grande ferramenta, estimulado pelos comentários da Gláucia, que torno a alimentar o meu blog. Considero este comentário como sendo estimulador em função de como a Gláucia descobriu o blog (parecia que só existia entre as pessoas mais próximas - todos os comentários anteriores foram de pessoas conhecidas ou de parentes). Foi neste novo caminho - a Internet, que a Gláucia me encontrou. Fazendo pesquisa, buscando encontrar depoimentos ou palavras de incentivo para enfrentar o que lhe parece ser um drama. Percebo agora, claramente, quão importante podem ser as minhas palavras para aquelas pessoas que buscam encontrar conforto, esperança quando estão diante da mesma situação pela qual, posso dizer agora, que já passei! E dizer que o tamanho desse drama depende de quem o olha, da forma como é encarado, da "importância" que lhe está sendo dado. Minimize o tamanho e o estrago desse drama acreditando que você é capaz de superá-lo, tendo como certeza o amor de Deus por você - peça por misericórdia e, acredite, você vencerá!
Não tenho, simplesmente as palavras que elas "gostariam" de ler... mas, as "palavras verdadeiras" de quem "sofreu na pele" e pode dar o testemunho para que o seu caminho se torne "mais fácil", ante as dificuldades que parecem ser avassaladoras.
Lembro-me de como passei mal a noite de ano novo. Com a boca cheia de áftas, não conseguia ingerir nada, tampouco falar com alguém. Naquele momento, parecia que o mundo estava caindo sobre mim. Uma sensação muito ruim, que poderia trazer piores consequências ao tratamento, que foi afastada pela certeza que eu tinha de que aqueles momentos eram passageiros e que eu estava sendo submetido a duras provas para testar a minha Fé. Apenas chorei, deixei as lágrimas lavarem meu rosto - era como se estivesse lavando também a minha alma, renovando o meu espírito. Não podia falar nem comer, mas tinha as minhas faculdades mentais em funcionamento e precisava manter-me equilibrado mentalmente, sou conhecedor do poder que a mente exerce sobre todos os nossos órgãos...
Quero dizer que nunca me maldisse e nem perguntei o porquê de estar acometido de tal enfermidade, pois acho que seria blasfemar ou ir contra a vontade de Deus. Apenas pedi muito, sempre lembrando também de agradecer, pelos dias que pudesse a vir merecer.
Pedi a Deus que me concedesse a graça de poder conhecer a minha primeira netinha... Ana Vitória! E a graça foi alcançada! Hoje posso ver que não só me foi concedido conhecê-la de passagem, mas tenho Fé de poder acompanhar o seu crescimento, partilhando com todos os seus momentos, sejam de alegria ou de dor. Isso é renovação e esperança em dias melhores.
Todos nós, não somente quando estamos enfermos, devemos buscar pensamentos sadios para preencher a nossa mente. Devemos mentalizar, diante das dificuldades, que tudo é efêmero, o importante é acreditar que merecemos a vitória e fazer por onde merecê-la de verdade. Eterno é o amor de Deus pelos homens!
A dor física pode ser extipada quando voltamos os nossos pensamentos para as coisas de Deus, pense na beleza de uma cachoeira ou lembre do som da chuva caindo sobre a grama. Visualize a rosa a partir do botão, pense de onde vem aquele perfume, são exercícios que podemos fazer para afastar qualquer outro pensamento que possa causar danos ao nosso corpo. Não nascemos para sofrer! Devemos buscar a garantia da felicidade nas pequenas coisas do dia-a-dia...
De véspera, somente os perus de Natal! Amanhã falarei da experiência da UTI em consequência das reações da quimioterapia...
Atualmente esses caminhos não são necessariamente aqueles "caminhos físicos" tradicionais, como estradas, ruas, avenidas ou outros espaços públicos como aeroportos, portos, mercados, etc tem também a Internet. E foi para falar dessa grande ferramenta, estimulado pelos comentários da Gláucia, que torno a alimentar o meu blog. Considero este comentário como sendo estimulador em função de como a Gláucia descobriu o blog (parecia que só existia entre as pessoas mais próximas - todos os comentários anteriores foram de pessoas conhecidas ou de parentes). Foi neste novo caminho - a Internet, que a Gláucia me encontrou. Fazendo pesquisa, buscando encontrar depoimentos ou palavras de incentivo para enfrentar o que lhe parece ser um drama. Percebo agora, claramente, quão importante podem ser as minhas palavras para aquelas pessoas que buscam encontrar conforto, esperança quando estão diante da mesma situação pela qual, posso dizer agora, que já passei! E dizer que o tamanho desse drama depende de quem o olha, da forma como é encarado, da "importância" que lhe está sendo dado. Minimize o tamanho e o estrago desse drama acreditando que você é capaz de superá-lo, tendo como certeza o amor de Deus por você - peça por misericórdia e, acredite, você vencerá!
Não tenho, simplesmente as palavras que elas "gostariam" de ler... mas, as "palavras verdadeiras" de quem "sofreu na pele" e pode dar o testemunho para que o seu caminho se torne "mais fácil", ante as dificuldades que parecem ser avassaladoras.
Lembro-me de como passei mal a noite de ano novo. Com a boca cheia de áftas, não conseguia ingerir nada, tampouco falar com alguém. Naquele momento, parecia que o mundo estava caindo sobre mim. Uma sensação muito ruim, que poderia trazer piores consequências ao tratamento, que foi afastada pela certeza que eu tinha de que aqueles momentos eram passageiros e que eu estava sendo submetido a duras provas para testar a minha Fé. Apenas chorei, deixei as lágrimas lavarem meu rosto - era como se estivesse lavando também a minha alma, renovando o meu espírito. Não podia falar nem comer, mas tinha as minhas faculdades mentais em funcionamento e precisava manter-me equilibrado mentalmente, sou conhecedor do poder que a mente exerce sobre todos os nossos órgãos...
Quero dizer que nunca me maldisse e nem perguntei o porquê de estar acometido de tal enfermidade, pois acho que seria blasfemar ou ir contra a vontade de Deus. Apenas pedi muito, sempre lembrando também de agradecer, pelos dias que pudesse a vir merecer.
Pedi a Deus que me concedesse a graça de poder conhecer a minha primeira netinha... Ana Vitória! E a graça foi alcançada! Hoje posso ver que não só me foi concedido conhecê-la de passagem, mas tenho Fé de poder acompanhar o seu crescimento, partilhando com todos os seus momentos, sejam de alegria ou de dor. Isso é renovação e esperança em dias melhores.
Todos nós, não somente quando estamos enfermos, devemos buscar pensamentos sadios para preencher a nossa mente. Devemos mentalizar, diante das dificuldades, que tudo é efêmero, o importante é acreditar que merecemos a vitória e fazer por onde merecê-la de verdade. Eterno é o amor de Deus pelos homens!
A dor física pode ser extipada quando voltamos os nossos pensamentos para as coisas de Deus, pense na beleza de uma cachoeira ou lembre do som da chuva caindo sobre a grama. Visualize a rosa a partir do botão, pense de onde vem aquele perfume, são exercícios que podemos fazer para afastar qualquer outro pensamento que possa causar danos ao nosso corpo. Não nascemos para sofrer! Devemos buscar a garantia da felicidade nas pequenas coisas do dia-a-dia...
De véspera, somente os perus de Natal! Amanhã falarei da experiência da UTI em consequência das reações da quimioterapia...



